Ao observarmos um artista esculpindo na madeira podemos traduzir o que olhamos através da metáfora de um combate. Há, de um lado, o escultor, como uma espécie de demiurgo, e do outro a natureza, isto é, o tronco a ser trabalhado. O escultor empreende toda a sua força física e espiritual em moldar a matéria bruta que lhe chega em mãos e, a madeira, impõe-lhe a dureza e a resistência de muitos anos de existência.
Demiurgo, aliás, é uma palavra tão antiga quanto a própria escrita. Ela nasceu entre os gregos antigos e significava tanto uma espécie de força divina criadora do mundo quanto aquele que trabalha com as mãos. A palavra demiurgo foi usada pelo famoso filósofo Platão nos diálogos de Timeu e Crítias para descrever a criação do cosmos, para o filósofo, o demiurgo transformaria o caos primordial, isto é, aquilo que não tem uma forma definida, em uma ordem.
É exatamente disso que trata a exposição: a criação de formas. Os três artistas escolhidos, Aldo Pernambuco Sobrinho, Arayr Ferrari e Francisco Crocomo são demiurgos da forma. Cada um à sua maneira extrai significados diretamente de uma matéria que, à primeira vista, pode carecer de qualquer sentido. Além das próprias obras, publicaremos entrevistas e vídeos no blog https://demiurgosdaforma.blogspot.com/ destinado à exposição.
Ficha técnica:
Realização e Curadoria: Rafael Gonzaga de Macedo
Apoio Cultural: Centro Cultural Martha Watts
Produção: Lina Agifu
